Rue Catinat

13.4.05

 
Não me tem sido possível gozar o suficiente este Rue Catinat. Leitor profissional e querendo separar blog e trabalho o fluxo tem sido reduzido e o a citar pouco interessante.

Assim o Rue Catinat encerra. Continuará como categoria do meu outro blog. A quem por aqui passou obrigado pela atenção. E boas leituras.

12.4.05

 
This is a working river. Hour after hour the radio-telephone is cackling on the tugs. "Calling Sun 17, take the Florian and go in with her. Calling Sun 16, has that little Spaniard moved yet? What's the matter with her?". Language, old river hands complain, has become politer on the river. Education, they say, is the curse of everything, and the bad-language joke ... has lost its anchorage.

[V.S. Pritchett, London Perceived, Penguin Books, 78]

 
London is a market, has always been a market, and it owes its character to the Thames...the Thames estuary is only a few minutes' flight or a four or five hours' sea crossing from the mouths of three great continental rivers - the Elbe, the Scheldt, and the Rhine; and, by the last two, the traditional route from Venice to Amsterdam, the richest seam in Europe, debouches in the North Sea. Opposite these rivers, placed at the crossing of the sea routes, the Thames turned London into a natural entrepôt, and centre for transshipment.

[V. S. Pritchett, London Perceived, Penguin Books, p. 74]

7.4.05

 
Dedicado ao Ideias Para Debate, agradecendo a instalação de uma ligação ao Rue Catinat:

"A racionalização da actividade comunitária não tem (...) por consequência uma universalização do conhecimento relativamente às condições e às relações dessa actividade, mas, o mais das vezes, conduz ao efeito oposto. O "selvagem" sabe infinitamente mais sobre as condições económicas e sociais da sua própria existência do que o "civilizado", no sentido corrente do termo, das suas."

[Max Weber, Ensaio Sobre a Teoria da Acção]

 
A principal ideia do poema é construir e destruir. Não há nada intermédio. Mecanismo é destruir. O dinheiro é claro que é destruir. Quando for cavada a última sepultura, terão de pagar ao coveiro. Se pudéssemos confiar na natureza não teríamos de temer. Ela sustentar-no-ia. A natureza é criadora. Rápida. Pródiga. Inspiradora. Dá forma às folhas. Faz rolar as águas da Terra. O homem é o chefe disto. Todas as criações são a sua herança legal. Não sabemos o que temos dentro de nós. Uma pessoa ou cria ou destrói. Não há neutralidade...

[Saul Bellow, Agarra o Dia, Fragmentos (tradução Bernardo Antunes Navarro)]

4.4.05

 
Ao contrário do que pretende o cliché, o irmão da morte talvez não seja o sono, mas a arte, e em particular a música. Ao mesmo tempo que exprime na sua essência a vitalidade, a força da vida e o prodígio da crição, a obra de arte é acompanhada por uma dupla sombra: a da sua possível ou preferível inexistência, e a do seu desaparecimento.

[George Steiner, Gramáticas da Criação, Relógio d'Água]

2.4.05

 
...a harmonia nas nossas famílias, e portanto na nossa sociedade, pressupõe que se distanciem os idênticos e se aproximem os diferentes. Ora, a lei tem tendência para denegar o papel do pai...

...Boris Cyrulnik faz notar como, pela atribuição de um abono de estudos aos jovens, o Estado curto-circuita o papel do pai, ocupa o lugar deste, desaloja-o do seu estatuto e sapa, portanto, a sua função separadora....

O Estado é cada vez mais requerido em suprimento do pai....Se a lei designava ... o pai como chefe de família, era para contrabalançar de algum modo a ordem biológica natural que outorga um privilégio exclusivo à mãe na relação com o filho. Hoje, os dois pais são chefes ao mesmo tempo, e um mais que o outro já que o pai não é pai se não for designado como tal pela mãe e se ele aceitar este lugar.

[Françoise Héritier, "Apresentação", O Incesto, Pergaminho]

 
Walter Benjamim sonhava publicar um livro inteiramente composto de citações. Pelo meu lado, falta-me a originalidade necessária para tanto.

[George Steiner, Gramáticas da Criação, Lisboa, Relógio d'Água]

 
Assim, também a Musa inspira ela própria e, através destes inspirados, forma-se uma cadeia, experimentando outros o entusiasmo. Na verdade, todos os poetas épicos, os bons poetas, não é por efeito de uma arte, mas porque são inspirados e possuídos, que eles compõem todos esse belos poemas; e igualmente os bons poetas líricos...
Com efeito, o poeta é uma coisa leve, alada, sagrada, e não pode criar antes de sentir a inspiração, de estar fora de si e de perder o uso da razão. Enquanto não receber este dom divino, nenhum ser humano é capaz de fazer versos ou de proferir oráculos. Assim, não é pela arte que dizem tantas e belas coisas sobre os assuntos que tratam, como tu sobre Homero, mas por um privilégio divino, não sendo cada um deles capaz de compor bem senão no género em que a Musa o possui...Nos outros géneros cada um deles é medíocre, porque não é por uma arte que falam assim, mas por uma força divina, porque se soubessem falar bem sobre um assunto por arte, saberiam, então, falar sobre todos.
E se a divindade lhes tira a razão e se serve deles como ministros, como dos profetas e dos adivinhos inspirados, é para nos ensinar, a nós que ouvimos...

[Platão, Íon (tradução de Victor Jabouille)]

 
Na minha opinião, estas conversas acerca de poesia assemelham-se muito aos banquetes de pessoas medíocres e vulgares. Incapazes, pela sua ignorância, de fazer as despesas da conversa num banquete, com a sua voz e os seus discursos, encarecem as tocadoras de flauta, pagando por alto preço um voz estranha, a voz das flautas, por meio da qual conversam uns com os outros.

[Platão, Protágoras, tradução de A. Lobo Vilela]

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