"As leis mecânicas que nos permitem prever os fenómenos do universo são muito simples...A Natureza, sabemo-lo, porém, é mais simples do que poderemos imaginá-la através da nossa lógica". (91-96)
"O que caracteriza os bons cientistas é que, façam o que fizerem, nunca estão completamente seguros de si próprios, em comparação com a maioria das outras pessoas. Vivem
na e com
a dúvida; podem pensar "talvez..." e agir mesmo com essa dúvida, muito embora saibam que tudo não passa de um "talvez". (121)
"Recordemos também a nossa tendência para tornarmos tudo muito mais complexo do que deveras é. Há dias lia ... uma passagem de Espinosa...O raciocínio era absolutamente infantil, mas encontrava-se revestido de um tal palavreado de atributos, de substâncias e de outras banalidades que ... desatámos a rir às gargalhadas. Bem, deve achar que estou a exagerar, rir-me de um filósofo da estatura de Espinosa! Mas acontece que Espinosa não tem realmente qualquer desculpa...Veja bem, pegue numa proposição de Espinosa; a seguir, transforme-a na proposição contrária e examine-a bem. Aposto que não pode dizer-me qual das duas é a correcta.
As pessoas deixam-se impressionar com Espinosa porque este filósofo teve a coragem de encarar as questões importantes. Mas para que serve esta coragem se não leva efectivamente a nada?" (114-115)
"[Os filósofos] Tiram proveito do facto de, provavelmente, não haver uma partícula fundamental última para nos exortarem a não irmos mais além. E ei-los, a seguir, a pontificarem: "O vosso pensamento não chega ao fundo das coisas, deixem-nos dar-lhes uma definição preliminar do mundo". Mas assim não pode ser! Estou decidido a explorar o mundo sem ter dele qualquer definição!" (115)
[Richard P. Feynman, Uma Tarde Com o Sr. Feynman, Lisboa, Gradiva, 1991]