Ao fim e ao cabo, as pessoas que verdadeiramente admiro não precisam de obra, a maior parte dos escritores meus conhecidos parecem-me menos interessantes. Mas a obra assemelha-se a um fato de bom corte, impõe quem o veste, mesmo tratando-se de um imbecil. A obra é quase sempre o recurso de quem não se sabe revelar na sua nudez, de quem precisa de se fingir talentoso. Quem tem talento prescinde da obra, basta dizer uma palavra, basta fazer um gesto. Basta estar ali.
[Augusto Abelaira, O Bosque Harmonioso]